2020: O pior ano da demanda de carga aérea desde 1990, quando o desempenho começou a ser monitorado

2020: O pior ano da demanda de carga aérea desde 1990, quando o desempenho começou a ser monitorado

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) divulgou os resultados dos mercados globais de transporte aéreo de carga, mostrando que a demanda de carga aérea diminuiu 10,6% em 2020 em relação a 2019. Esta foi a maior queda ano a ano desde que a IATA começou a monitorar o desempenho de carga aérea em 1990, superando a queda de 6% no comércio global de mercadorias.

• Em 2020, a demanda global, medida em toneladas de carga por quilômetro (CTKs*), ficou 10,6% abaixo dos níveis de 2019 (-11,8% nas operações internacionais).

• A capacidade global, medida em toneladas de carga disponível por quilômetro (ACTKs), diminuiu 23,3% em 2020 (-24,1% nas operações internacionais) em relação a 2019, mais do que o dobro da queda na demanda.

• Devido à falta de capacidade disponível, as taxas de ocupação de carga aumentaram 7,7% em 2020. Esse resultado contribuiu para o aumento de resultados e receitas, ajudando as companhias aéreas e alguns voos de passageiros de longa distância mediante a queda observada nas receitas de passageiros.

• Melhorias foram registradas em dezembro, quando a demanda global ficou 0,5% abaixo dos níveis do ano anterior (-2,3% nas operações internacionais). A capacidade global ficou 17,7% abaixo dos níveis do ano anterior (-20,6% nas operações internacionais). Essa queda é muito maior que a contração da demanda, indicando a redução contínua e severa da capacidade. Com a estagnação da recuperação nos mercados de passageiros, não é possível ver uma luz no fim do túnel para a questão da crise de capacidade.

As condições econômicas estão se recuperando neste início de 2021. O componente “novos pedidos de exportação” do PMI – Purchasing Managers Index, índice que mede a atividade econômica do setor de manufatura,¹ está em crescimento nos mercados desenvolvidos e emergentes. Além disso, a produção industrial global também se recuperou.

“A carga aérea está sobrevivendo à crise de uma maneira melhor que o mercado de passageiros. Para muitas companhias aéreas, em 2020 a carga aérea se tornou uma fonte de receita fundamental, apesar da demanda enfraquecida. Mas, com grande parte da frota de passageiros parada, atender à demanda sem utilizar a capacidade máxima do porão dos voos de passageiros continua representando um enorme desafio. Além disso, como os países reforçam as restrições às viagens devido às novas variantes do coronavírus, é difícil ver melhorias na demanda de passageiros ou na crise da capacidade. 2021 será outro ano difícil”, disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

Desempenho por região em 2020

Fortes variações foram observadas no desempenho regional de carga aérea em 2020. As transportadoras da América do Norte e da África relataram ganho anual na demanda em 2020 (+1,1% e +1,0%, respectivamente), enquanto todas as outras regiões apresentaram queda em relação a 2019. A demanda internacional caiu em todas as regiões, com exceção da África, que registrou aumento de 1,9% em 2020 em relação ao ano anterior.

• As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico relataram queda de 15,2% na demanda em 2020 em relação a 2019 (-13,2% nas operações internacionais) e queda de 27,4% na capacidade (-26,2% nas operações internacionais). Em dezembro, as companhias aéreas da região registraram redução de 3,9% na demanda internacional em relação ao ano anterior. Após a estagnação da recuperação no terceiro trimestre, a demanda está melhorando, reflexo da recuperação na atividade do setor de manufatura e pedidos de exportação da China e Coreia do Sul. A capacidade internacional continuou limitada em dezembro, com queda de 25,1%.

• As transportadoras da América do Norte registraram aumento de 1,1% na demanda em 2020 em relação a 2019 (-5,2% nas operações internacionais) e queda de 15,9% na capacidade (-19,7% nas operações internacionais). Em dezembro, as transportadoras da região apresentaram aumento de 3,1% na demanda internacional. Este foi o melhor desempenho mensal desde o fim de 2018. O forte tráfego nas rotas Ásia-América do Norte, que cresceu 2,1% em 2020 devido à forte demanda dos consumidores norte-americanos por produtos fabricados na Ásia, contribuiu para o resultado do desempenho. A capacidade continuou limitada em dezembro, com queda de 14,1%.

• As transportadoras da Europa relataram queda de 16,0% na demanda em 2020 em relação a 2019 (-16,2% nas operações internacionais) e queda de 27,1% na capacidade (-27,1% nas operações internacionais). Em dezembro, as companhias aéreas registraram queda de 5,6% na demanda internacional em relação ao ano anterior. Após a estagnação da recuperação em novembro, a demanda com ajuste sazonal cresceu 7% na comparação mês a mês em dezembro, a maior alta entre todas as regiões. Porém, novas restrições e condições econômicas adversas na região representam um risco à recuperação. A falta de capacidade continua um desafio, pois a capacidade internacional diminuiu 19,4% em dezembro.

• As transportadoras do Oriente Médio relataram queda de 9,5% na demanda em 2020 em relação a 2019 (-9,5% nas operações internacionais) e queda de 20,9% na capacidade (-20,6% nas operações internacionais). Após uma pequena desaceleração na recuperação em novembro, as transportadoras da região tiveram um bom desempenho em dezembro, apresentando aumento de 2,3% na demanda internacional. A capacidade internacional diminuiu 18,2% em dezembro, sem mudanças em relação a novembro.

• As transportadoras da América Latina relataram queda de 21,3% na demanda em 2020 em relação a 2019 (-20,3% nas operações internacionais) e queda de 35% na capacidade (-33,6% nas operações internacionais). Em dezembro, o volume de cargas internacionais caiu 19,0% em relação ao ano anterior. A recuperação do transporte aéreo de carga foi afetada por condições econômicas adversas em mercados como México, Argentina e Peru. A capacidade continua muito limitada na região. A capacidade internacional diminuiu 36,7% em dezembro, acentuando a queda de 30,4% registrada em novembro.

• As companhias aéreas da África registraram aumento de 1,0% na demanda em 2020 em relação a 2019 (1,9% nas operações internacionais) e queda de 17,3% na capacidade (-15,8% nas operações internacionais). As companhias aéreas da África apresentaram o maior crescimento internacional entre todas as regiões em dezembro e no ano de 2020. A demanda internacional de dezembro subiu 6,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As companhias aéreas da África agora apresentam a mesma participação no mercado de carga internacional que as transportadoras da América Latina (2,4%). A capacidade internacional diminuiu 21,6% em dezembro, acentuando a queda de 18,6% registrada em novembro.

Veja a análise completa dos mercados de transporte aéreo de carga de 2020 (pdf)

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